Hey, eu não quero continuar no zero a zero ou no um a um. Não
quero continuar a jogar este jogo sem fundamentos, sem raízes, sem função. Não
quero por um minuto sequer, continuar errando por livre e espontânea pressão.
NÃO QUERO que me toque, não quero que me olhe desse jeito
vulgar; Não quero ouvir sua voz sussurrando palavras sujas na minha alma limpa.
Eu já tive asas
sabia? E a cada vez que eu errava, arrancava delas uma pena... É uma pena, tudo
foi mutilado de mim por um motivo fútil, por um momento. Antes, o desconhecido
me entretia, me ludibriava, me encantava, Mas meu coração dói, minha alma
pranteia, meu espírito rasga suas vestes imundas e grita.
Não toque-me com suas palavras, com seus olhos, com seu
cheiro, suas maneiras loucas de me levar para outro lugar. Não toque-me com
suas incredulidades, suas fraquezas, suas bondades, suas malícias. Não toque-me
com sua vulgaridade, sua leviandade, sua modernidade, sua falta de fé.
Como ainda não entendeu? Que amor é esse que põe a sua
frente tudo que mais maltrata o ser amado? O criador se afastou da criatura, pôs
sobre ela nuvens e densas trevas, há pranto e ranger de dentes, há ossos
quebrados, alma abatida, tristeza. A filhinha tornou-se desonra, vergonha,
imundície.
Deixe-me, deixe-me com as minhas muralhas caídas pelo
caminho, com toda metralha, com os corpos fragilizados e estendidos sobre as
ruas da minha alma. Deixe-me com a minha solidão e vergonha, com a minha
terrível solidão.
Deixe-me ser vendaval, furacão, tempestade, caos. Deixe-me só, deixe-me ser vulcão. Deixe-me arrancar de mim as feridas e amarras desse mundinho vazio. Deixe-me com as minhas asas quebradas, deixe-me com minha falta de luz.
Hey, eu não quero jogar na sua completa bagunça!
Deixe-me .. ou me refaça!


