quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Bandeira azul

De que são formados e de onde surgiram os egoístas, os céticos e frios seres vivos que perambulam por este planeta? De que se alimentam e como sobrevivem as intempéries destes violentos ecossistemas? Me atrevo a dizer que sua pele é um fino tapete que recobre seus ossos e músculos, já não há coração nem sentimentos, apenas carne pulsante, bolos de carne e músculos. Olho em seus olhos e apenas vejo vidraças quebradas, violentadas pela vida. Janelas destruídas por pedras e cacos lançados impiedosamente em suas direções. 

Foram eles massacrados e torturados até sua completa exaustão, e estando fracos e vulneráveis ateiam suas bandeiras negras ou seriam azuis? 

A vida não é tão doce caro menino, e talvez não precise ser. 
Continuas mostrando os seus dentes amarelos como um lobinho acuado? não sorria se não há vontade. 

As pessoas egoístas nem sempre são culpadas por sua completa solidão, não se culpe por optar por isso. A solidão nos torna momentaneamente livres de uma sociedade hipócrita, ingrata, inconsequente e falida. 

Ainda existe o sol, ainda existe a calma brisa e o refrigério do fim da tarde. Você pode senti-los sozinho, pode ama-los em secreto, guarda-los em sua memória. 

Voe minha cara criança, voe para dentro de si... mergulhe nos livros, seja o melhor que puder ser para você. 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Adultos são egoístas, mas nem sempre foram assim.


Eu sempre me perguntei se quando chegasse a fase adulta, saberia de coisas que não soube desvendar quando menina. Sonhava em ser independente e rodeada de bons amigos pra curtir aquela festinha de final de semana, pra curtir aqueles filmes com a galera, pra aumentar aquele sentimento que nos unia, sonhava em como seria bom ter minha profissão e construir minha vida.

É, eu confesso que sempre achei que as pessoas mais velhas eram meio amargas, cansadas, egoístas, medrosas, chatas. Sempre diziam "não vá"; "não faça"; "não use"; "não confie"... e eu sempre gargalhava dentro de meu espírito jovem e avassalador (creio que as minhas melhores amigas faziam o mesmo dentro delas).

Mas o que tenho a dizer é triste, o que tenho a dizer é que realmente havia algo que eu não conseguia desvendar dentro de minha auto confiança inabalável e a minha vontade de ser eternamente viva dentro de mim... Os adultos são o que são, porque os mataram aos poucos durante todas as fases que tiveram que ultrapassar para chegar nesse estágio da vida.

Conforme os anos iam passando, ter 10 anos me pareceu tão necessário novamente mas os 15 anos me obrigaram a me tornar mais solícita, mais responsável, mais madura. E eu pensei que estava no caminho certo, minhas amigas também achavam... sempre destacavam minhas decisões, sempre me consultavam antes das delas, sempre elogiavam o meu modo pacífico e crítico de enxergar o mundo.

Mas os anos se passaram tão rápido e tão rápido, que perdi o freio, perdi amigas, perdi amores, perdi promessas, perdi sonhos, perdi metas, perdi sonos, perdi horas, perdi dias, perdi anos... e aqui estou. Sozinha outra vez, procurando entender onde ficaram minhas almas gêmeas parceiras, procurando entender onde me levaram todos os meus alvoroços e lutas inadiáveis da minha adolescência. Estou só!

Foram tantas expectativas para este grande dia que já nem sei se faço um bolo colorido cheio de velinhas ou se choro por ter chegado aqui em frangalhos.

Adultos são egoístas, mas nem sempre foram assim... são porque da mesma maneira que retribuíam sorrisos, retribuíram a pessoas egoístas muitas e muitas vezes. São cansadas e medrosas, porque de tanto insistir no crescimento de outras pessoas, esqueceram de olhar para si mesmas e hoje já não sabem por onde começar e desistem. São amargas, porque doaram toda a sua doçura à causas, pessoas e coisas que nem sempre souberam valorizar como deveriam.

Me pergunto então o que devo fazer ao chegar aqui. Deveria descobrir os móveis antigos dessa casa grande e velha, pendurar o chapéu no cabide e me adaptar a essa solidão? ou deveria bater mais portas, gritar mais alto, levantar mais poeiras, acordar mais pessoas e vê no que vai dá...?




domingo, 21 de maio de 2017

Crescer


Pra falar a verdade, onde estávamos de fato com a nossa cabeça quando decidimos crescer?
O que havia em nosso coração naquele momento em que abrimos mão de nossa infância?
Qual terá sido o real motivo para que duras palavras decidissem essa mudança sem volta?

Eu preferia ralar os dois joelhos e enfrentar outra vez os banhos ardidos de água gelada, preferia comer folhas de seriguela pra tapear a fome, preferia me entreter com a terra do quintal sem direito a nenhum brinquedo caro, preferia cantar sem letras, preferia me animar com nada mais do que um amigo chamando no portão. 

Ah, como eu gostaria de tomar banho de chuva outra vez, correr feito um trem desgovernado pelas ruas gritando sabe lá Deus o quê... Como eu gostaria de riscar cimento, correr contra o vento, como eu gostaria de dormir em colchões no chão, comer cuscuz com a sombra de um ovo, ter que dividir tudo com mais três, quatro, cinco... colecionar estrelas. 

Eu preferia mil vezes me ocupar em pentear sabugos de milho do que emprestar meu coração a coisas tão cansativas, preferia mesmo amar sem saber do que viver essa vida cheia de cobranças, de elogios forçados. Preferia dividir meu tempo com aquele sol fininho da manhã, debaixo daquela árvore distante de casa, naquele chão de terra e mato seco, de onde dava pra ver um mundão de água guardado em um tanque. Tudo isso acompanhada de meus cadernos (queridos cadernos). 

Não tente crescer criança, não tente fugir 


Aqui no mundo dos adultos esse biquinho infalível não significa absolutamente nada. Sabe porque?

Porque as pessoas estão muito ocupadas com coisas, com metas, com sonhos sólo.

Elas até enxergam sua insatisfação, elas sabem que você não está bem, elas até perguntam porque você parece ter ralado o joelho mesmo estando com eles inteirinhos da silva. Elas ficam te rodeando com tantos afazeres que o máximo que percebem criança, é que você está se afastando, é que você parece está fazendo biquinho, mesmo que esteja fazendo apenas sutilmente com os olhos.. Elas te acham egoísta, acreditam que você só quer chamar atenção, não há nada de errado em você ou com você (pelo menos ao olhos delas)...

Minha querida criança, elas vão te gritar para que você cresça, vão te obrigar a falar em poucos minutos, quem sabe até segundos... porque? Porque elas tem muito mais o que fazer e pouco se importam com o que irá dizer, eles não querem entender, só precisam que você diga. Pra te dá a falsa sensação de alívio. 

Não caia nessa, não tente crescer antes do tempo, vá aos poucos vivendo cada segundo precioso de sua vida. Não corra com tanta pressa para alcançar essas pessoas... você vai está esgotado em pouco tempo, e pra sua surpresa, estará infeliz também. Não venda sua doçura, não feche seus olhos quando te oferecem os amargos prazeres te fazendo somente perder nessa vida. Não troque seus sorrisos por máscaras, não troque suas palavras por textos pré escritos, não desista da sua voz. 

Pra falar a verdade, onde eu estava de fato com a minha cabeça quando decidi/precisei crescer? O que havia em meu coração naquele momento? Qual terá sido o real motivo? 


Será que valeu mesmo a pena? 









sábado, 13 de maio de 2017

O que você diria?


O que diriam seus olhos se eles pudessem falar agora?
Será que seus belos olhos deixariam escapar pistas sobre esse mistério que é você?





O que seus lábios diriam se pudessem realmente falar?
Será que seus finos lábios diriam o que escondeu por trás de seu sorriso?



O que diriam suas mãos se elas pudessem falar?
Será que revelariam o segredo de seu toque macio, que acalma todas as tempestades?




O que seu cheirinho adocicado diria, se pudesse falar?
Será que exalaria sua essência divina, de co-herdeira do reino de Deus?




O que seus passos diriam se pudessem falar?
Será que me permitiriam participar de sua jornada?






O que você diria se realmente pudesse falar?
Será que saberia dizer aos quatro ventos o quanto você é fantástica?


Quebre as correntes de seu silêncio. 






terça-feira, 18 de abril de 2017

Menina bonita

Menina bonita que sorri ao sol, o que vês quando olhas pra si? 
Menina bonita com lacinhos de fita, quando seus cabelos estão soltos quem és?
Menina bonita do terninho engomado, o que escutas por detrás dessa armadura?
Menina bonita dos sapatinhos brilhantes, por onde andas quando seus pés estão nus?
Menina bonita do falar apurado, o que dizes quando não estão te ouvindo?
Menina bonita ereta como uma flecha, onde descansas teu fardo?
Menina bonita das palavras corretas, onde te leva o silêncio da noite?
Menina bonita dos olhos brilhantes, onde te enxergas em teus sonhos?




Voe! Liberte-se! 
Brilhe mais do que o sol.
Solte seus cabelos ao vento, descubra-se.
Ouça sua música favorita. 
Ande descalça e sinta a grama verde em seus dedos, a terra fria, seja flor. 
Diga o que pensa, grite o que pensa. 
Atire-se em direção aos seus objetivos, jogue fora o que não é seu. 
Fale sem medo, a escuridão encerra-se na presença da luz.
Enxergue-se além, seja grandiosa, seja grata!






Menina bonita, você não precisa mais esconder-se dentro de si mesma. O
 tempo não para. 




segunda-feira, 6 de março de 2017

Eu já quis desistir. Da mesma forma que quis continuar..

Eu já quis desistir. Da mesma forma que quis continuar... Mas é como nosso querido Shakespeare nos disse tão sabiamente, a gente aprende.

Lá fora a menina brincava com seus cabelos soltos ao vento, se sentindo uma borboleta azul. Corria de um lado para o outro na neve fria e branca. Uma linda menina rosada sorria e girava em seu gramado de cristais de gelo cuidadosamente esculpidos.

Dentro de sua casa, sua mãe a observava feliz. Ela preparava biscoitos quentinhos em forma de sol, de lua, de sonhos... Enquanto seu anjinho de luz brincava alegremente lá fora, junto ao som do vento, junto aos pinheiros indispensáveis e ao parrudo boneco de neve com nariz alaranjado.

Veja só, está nevando. Teria como ficar melhor? Há neve por todos os lados e logo os anjinhos serão formados na calçada larga, acima das maravilhosas montanhas de neve formadas no fim da calçada. Menina sortuda, não há como melhorar.

Eu já quis desistir. Da mesma forma que quis continuar... Borboletas não voam na neve, eu devia saber.

Lá fora a menina brincava em uma mata verdinha, coberta por copas extensas de árvores vigorosas, modeladas pelo tempo. Ela sorria, sorria como nunca... corria por todos os lados, subia nas pedras e logo se lançava ao vento, caindo sobre as folhas secas que cobriam o chão. Que divertido, sua mãe pensava no batente de sua casa, preparando um lanche fresco para sua tão amada borboleta azul. Mas algo parecia estar errado... 

Eu já quis desistir. Da mesma forma que quis continuar...

Lá fora a menina corria por entre as flores, perfumadas flores, coloridas flores. Dançava e sorria sem parar, era de fato a imagem mais linda e inspiradora que já se ouviu falar. Sua mãe, estava preparando o jantar...

Eu já quis desistir. Da mesma forma que quis continuar...

A menina lá fora parou. Escondeu-se dentro de si mesma, guardou suas asas brilhantes e azuis e por trás da janela de seus olhos espia todos os dias. A menina cresceu, hoje mais se parece com sua mãe na janela, tão parecida que já se confunde com os papéis que deveria fazer, viver.

A mulher da janela já não é a sua mãe. A mulher da janela tem a pele branca como a neve, fria. Seus cabelos são extensos como as copas daquelas árvores, modelados e pintados pelo tempo, seus olhos parecem tão distantes, suas mãos apenas servem e preparam coisas sem parar. Fora dali, mas não tão longe há uma menina dançando, dentro de um pensamento e fora da janela da realidade... Linda menina, eu já quis desistir da mesma forma que queria continuar...


De sua tão querida, borboleta azul.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Ela me cativou com Palavras ...

Ela me sequestrou sem nem sequer um toque. Me sequestrou sem nem sequer me olhar. Me sequestrou sem sorrisos e charmes, ela me sequestrou com palavras. Ela me dedicou um versinho, daqueles que escrevemos no embrulho do pão, daqueles que escrevemos pensando o mais longe possível, daqueles que sem caneta escrevemos com os suspiros da alma.  

Ela me contou como alcançar o infinito, me disse que voaria assim que eu desejasse voar. Ela me fez crer que eu sou grande o bastante para voar sozinha e que meu espírito de plumas me deixará leve e livre no ar para todo sempre. 




Ela me cativou com palavras.