segunda-feira, 6 de março de 2017

Eu já quis desistir. Da mesma forma que quis continuar..

Eu já quis desistir. Da mesma forma que quis continuar... Mas é como nosso querido Shakespeare nos disse tão sabiamente, a gente aprende.

Lá fora a menina brincava com seus cabelos soltos ao vento, se sentindo uma borboleta azul. Corria de um lado para o outro na neve fria e branca. Uma linda menina rosada sorria e girava em seu gramado de cristais de gelo cuidadosamente esculpidos.

Dentro de sua casa, sua mãe a observava feliz. Ela preparava biscoitos quentinhos em forma de sol, de lua, de sonhos... Enquanto seu anjinho de luz brincava alegremente lá fora, junto ao som do vento, junto aos pinheiros indispensáveis e ao parrudo boneco de neve com nariz alaranjado.

Veja só, está nevando. Teria como ficar melhor? Há neve por todos os lados e logo os anjinhos serão formados na calçada larga, acima das maravilhosas montanhas de neve formadas no fim da calçada. Menina sortuda, não há como melhorar.

Eu já quis desistir. Da mesma forma que quis continuar... Borboletas não voam na neve, eu devia saber.

Lá fora a menina brincava em uma mata verdinha, coberta por copas extensas de árvores vigorosas, modeladas pelo tempo. Ela sorria, sorria como nunca... corria por todos os lados, subia nas pedras e logo se lançava ao vento, caindo sobre as folhas secas que cobriam o chão. Que divertido, sua mãe pensava no batente de sua casa, preparando um lanche fresco para sua tão amada borboleta azul. Mas algo parecia estar errado... 

Eu já quis desistir. Da mesma forma que quis continuar...

Lá fora a menina corria por entre as flores, perfumadas flores, coloridas flores. Dançava e sorria sem parar, era de fato a imagem mais linda e inspiradora que já se ouviu falar. Sua mãe, estava preparando o jantar...

Eu já quis desistir. Da mesma forma que quis continuar...

A menina lá fora parou. Escondeu-se dentro de si mesma, guardou suas asas brilhantes e azuis e por trás da janela de seus olhos espia todos os dias. A menina cresceu, hoje mais se parece com sua mãe na janela, tão parecida que já se confunde com os papéis que deveria fazer, viver.

A mulher da janela já não é a sua mãe. A mulher da janela tem a pele branca como a neve, fria. Seus cabelos são extensos como as copas daquelas árvores, modelados e pintados pelo tempo, seus olhos parecem tão distantes, suas mãos apenas servem e preparam coisas sem parar. Fora dali, mas não tão longe há uma menina dançando, dentro de um pensamento e fora da janela da realidade... Linda menina, eu já quis desistir da mesma forma que queria continuar...


De sua tão querida, borboleta azul.