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terça-feira, 18 de abril de 2017

Menina bonita

Menina bonita que sorri ao sol, o que vês quando olhas pra si? 
Menina bonita com lacinhos de fita, quando seus cabelos estão soltos quem és?
Menina bonita do terninho engomado, o que escutas por detrás dessa armadura?
Menina bonita dos sapatinhos brilhantes, por onde andas quando seus pés estão nus?
Menina bonita do falar apurado, o que dizes quando não estão te ouvindo?
Menina bonita ereta como uma flecha, onde descansas teu fardo?
Menina bonita das palavras corretas, onde te leva o silêncio da noite?
Menina bonita dos olhos brilhantes, onde te enxergas em teus sonhos?




Voe! Liberte-se! 
Brilhe mais do que o sol.
Solte seus cabelos ao vento, descubra-se.
Ouça sua música favorita. 
Ande descalça e sinta a grama verde em seus dedos, a terra fria, seja flor. 
Diga o que pensa, grite o que pensa. 
Atire-se em direção aos seus objetivos, jogue fora o que não é seu. 
Fale sem medo, a escuridão encerra-se na presença da luz.
Enxergue-se além, seja grandiosa, seja grata!






Menina bonita, você não precisa mais esconder-se dentro de si mesma. O
 tempo não para. 




segunda-feira, 4 de julho de 2016

Coração de folhas


Por detrás de um coração de folhas escondem-se várias histórias, de fracassos e também de glórias de uma jovem que beija palavras. Por detrás do coração de folhas é fino, esguio e escuro, semelhante ao concreto duro que prende nossas liberdades. Por detrás de um coração de folhas há musica, prosa e poesia, há sol e também tardes frias, há chuva, ventos e ventanias. Por detrás de um coração de folhas há arte, matemáticas e incógnitas que somente ela entenderia.

O que os olhos não veem o coração de folhas revela em nuances, no glítter barato recém colado ou na tinta mesclada por detrás do que se há. Tantos mistérios, tantos segredos, tantas histórias, o que falta ser decifrado por detrás do coração de folhas?

Ela pintava em silêncio envolta por seus pensamentos que somente ela compreenderia, até então... De fato ela nunca havia tentado expor, contar a alguém como era o mundo por detrás de seus olhos, por dentro de suas asas espessas e branquinhas. Ela apenas as sacudia, e sorria com o balançar de suas penas, suas plumas. Em silêncio sorria e logo se entristecia, sorria e logo se entristecia e ninguém no mundo entendia.

A tinta verde escorria sobre a tela mesclando-se com a tinta preta suavemente. Ela imaginava-se em uma luta cruel entre o mundo sobrenatural e o natural. Dois batentes, duas bandeiras, duas vozes, duas cores, dois gritos, dois, um... um silêncio.

No mundo real alguém a chamou, mas ela estava ocupada. Em suas mãos os pincéis eram a espadas da justiça, eram a lei. Era a rota de fuga, eram grandes paixões que somente surgem e destroem todo e qualquer sentido para tanto tumulto.

Ela torcia pelo mocinho, mas qual deles? Apenas movia sua mão rapidamente, freneticamente, e novamente molhava o pincel nas tintas recém aberta. Eram novos soldados, novos amores, novos mártires, novos heróis. Ela apenas pintava, e tudo que se via eram grandes pinceladas, pequenas pausas de contemplação e mais poesia por entre seus dedos.

Por fim, a guerra cessou... Ambos venceram! O verde tornara-se preto e o preto verde reluzia; e a sensação de dever cumprido a possuía. “Pois bem, deixarei secar”, foi o que ela disse através de seus olhos amendoados.  Até uma nova pergunta surgir, ela apenas sorria feliz, por ter apaziguado algo importante pregando o amor que ela tanto acreditara.

O que colocarei na tela? Preciso de algo que como meus olhos, brilhem com o passar da luz e no escuro consiga permanecer a espera de um novo espectador atento... Colocarei pó de estrela, está resolvido. Preciso apenas buscar. Ela disse em seus pensamentos.

A menina subiu por morros e montanhas. E foi mais além, mais além... Apenas andava, e ao olhar para os lados perdia-se e encontrava-se constantemente. O que era aquilo voando como pequenos helicópteros? Caiam como uma chuva leve em um dia de verão, ou como a chuva clássica em uma cena de amor... Folhas? Eram na verdade inflorescências de uma árvore graciosa à frente.

Ela parou, olhou para cima e como as pequenas e delicadas inflorescências; apenas girou, girou, girou, girou, e caiu. Graciosa como uma bailarina solo ou uma criança que sonha alto com seu tutu cor de rosa. Ela apenas sorriu.

Mais acima ela conseguiu seu tão precioso pó de estrelas, aquele que as estrelas soltam pelo caminho quando estão com cócegas ou quando o dia lhe encanta e apressadas precisam se esconder por detrás das nuvens para não serem confundidas com o sol. Colheu alguns dos pequenos helicópteros que agora pareciam asas de formiga rainha, mas que na verdade eram inflorescências de uma frondosa Madeira nova.

Já em casa, ela pegou um pouco de cola branca escolar e resolveu abençoa-la com a chance irrecusável de afixar em sua tela mesclada e agora seca o tão precioso pó de estrelas que ela buscou. E assim fez...

Ao olhar para aquilo ela compreendeu muito do que havia em si, do que havia no mundo, e do que ainda não havia. Ela era a única a beijar palavras antes de escrevê-las, ninguém nunca a compreenderia.

Foi então que teve a última ideia brilhante de um segundo precioso de seu dia... “Colocarei nesta tela o meu coração, assim todos um dia poderão decifrar o que por detrás da tela escondi”.  E assim fez... Com as inflorescências já ressecadas da viagem longa, desenhou um coração. Indo das extremidades para o centro sem deixar que as asinhas desfigurassem-se. Não era essa a intenção, pois asas são necessárias.

O que há por detrás de um coração de folhas? Pensou e logo sorriu.
 

Sua exaustão e completa bagunça valeram a pena, estava completo o segundo capítulo.

 

 

Borboleta azul


Quem me dera eu fosse azul

Quem me dera voar pelo céu como uma flor dançarina

Como uma menina com um laço de fita

Como uma princesinha em meio a adocicadas roseiras

 
Quem me dera...

 
Quem me dera eu fosse poesia nos lábios carnudos e rosados da menina que da janela espia

Quem me dera eu fosse o suspiro apaixonado do garoto sentado no fim da rua

Quem me dera eu provasse da doçura do néctar de uma só flor

Quem me dera ser a sinceridade do coração do cantor

 
Quem me dera...

 
Quem me dera encantar as doces velhinhas silenciosas

sentadas em desconfortáveis cadeiras nas áreas de suas casas vazias.

Quem me dera eu fosse raio de sol pela manhã, ao tocar na pele fininha de um novo bebê

Quem me dera eu fosse azul... Quem me dera eu fosse azul...

Quem me dera eu fosse uma flor dançarina, borboleta azul.

 

Quem me dera...